E
era assim que eu me via, olhando o outro lado da cerca, crendo que de
lá viriam todos os anjos salvadores, todos os heróis que eventualmente
estariam por chegar e, me resgatariam dessa condição desesperançosa da
qual eu me defrontava todos os dias. O outro lado era a salvação de
todos os incômodos que me tornavam detida, impedida de agir. Aqui,
estava eu, do lado de cá dessa cerca, onde o espaço
era enorme, contudo não me permitia ir de encontro a mim mesma. Eu
poderia, simplesmente, saltá-la, mas algo me indicava a chegada da
libertação a qualquer momento. E fora assim, por muitos anos, essa longa
expectativa diante de tais acontecimentos. Alguém dissera que toda
linha separa dois campos, dois polos, duas circunstâncias. E aquela
cerca era essa linha limitadora. Se aqui há desigualdades de condições,
se a minha existência favorável dependia de um salto, o que eu estaria
esperando? O que me amedrontava? Qual seria o requisito básico para
finalizar esse meu padecimento, esse desastre que era a minha
permanência do lado de cá? Um simples salto? E os anjos salvadores
que nunca chegam, os heróis que nunca me resgatam, onde estariam,
portanto, que nunca trouxeram o livramento a minha condição humana? Voltarei amanhã, farei tudo de novo, até que eu possa vencer essa
distância entre mim e a vitória que ainda hei de alcançar um dia.
Mostrando postagens com marcador Poesia. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Poesia. Mostrar todas as postagens
quarta-feira, 6 de agosto de 2014
sexta-feira, 18 de julho de 2014
Martírios da Alma
Só era perceptível o brilho dos olhos, um brilho que aos poucos se desfez em lágrimas...
Um olhar triste, perdido na distância, através dele, via-se o contorno esfumado de todas as coisas, e os últimos reflexos do entardecer, depois o refúgio na escuridão...
Me era aflitivo abrir os olhos, era custoso de contentar com o que me exigia esforço. Quando o sol se cansa de alvorecer, ele prossegue em outra direção, abrindo espaço para que a noite se construa, enquanto ele avança para outras diretrizes, onde possa chefiar seu próprio rumo.
Vedar os olhos era impedir a interação entre o que está dentro e aquilo que se encontra fora do meu alcance. Seria fechar o meu limite de acesso aos meus desgostos e infortúnios.
Eu decidiria a ocasião apropriada para reabri-los e confrontar de frente os meus martírios e recomeçar a aprender tudo de novo.
Um olhar triste, perdido na distância, através dele, via-se o contorno esfumado de todas as coisas, e os últimos reflexos do entardecer, depois o refúgio na escuridão...
Me era aflitivo abrir os olhos, era custoso de contentar com o que me exigia esforço. Quando o sol se cansa de alvorecer, ele prossegue em outra direção, abrindo espaço para que a noite se construa, enquanto ele avança para outras diretrizes, onde possa chefiar seu próprio rumo.
Vedar os olhos era impedir a interação entre o que está dentro e aquilo que se encontra fora do meu alcance. Seria fechar o meu limite de acesso aos meus desgostos e infortúnios.
Eu decidiria a ocasião apropriada para reabri-los e confrontar de frente os meus martírios e recomeçar a aprender tudo de novo.
Assinar:
Postagens (Atom)

