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terça-feira, 7 de outubro de 2014

A criança interior

Que a criança que um dia fomos permaneça como nosso guia nas horas de desassossego, de desordens morais e/ou espirituais. Essa criança que sabe ungir-se de alegria, encontrando na simplicidade razões para esse estado de contentamento.
A alegria brota da alma, sem que se conheça as razões para tal. É uma dádiva dos céus, onde estão guardadas todas as respostas e, ao nos tornarmos adultos, perdemos, por diversas vezes, esse canal que nos vincula a essa circunstância de absoluta felicidade.
Temos todas as idades pelas quais passamos, e por esse motivo, não devemos nos desapegar dessa infância que ornamenta a nossa vida adulta com entusiasmo e jovialidade.

sexta-feira, 19 de setembro de 2014

O príncipe dos sonhos

Na infância, sonhávamos e críamos nos sonhos, nas histórias lidas ou contadas, nas princesas resgatadas para a vida e o amor, no final feliz e na
felicidade que viria após cada final. Costumávamos dormir esperando os lindos sonhos que certamente viriam e eram presságios da vida real. Dormíamos esperando que os príncipes nos acordassem com beijos suaves e puros e nos mostrassem as janelas, por onde fugiríamos para um passeio encantado. Voaríamos, veríamos de cima toda a cidade adormecida e acreditávamos que cada uma daquelas pessoas tivesse o seu príncipe, ou a sua princesa e que possivelmente, naquelas horas silenciosas, cada uma delas estaria embevecida com os seus próprios sonhos. Deveríamos continuar a sonhar como crianças crendo que, ao acordarmos dos sonhos encantados, tudo estaria tal qual naquelas viagens extasiantes e, de certo nossa vida seria arrebatadora e cheia de arroubos juvenis. Ao amadurecermos perdemos a capacidade de sonhar. Perdemos todas as certezas, a esperança de uma vida de enlevo e plenitude. A vida muda, se transforma, porém os sonhos não devem morrer jamais. São eles que nos mantém vivos e plenos de felicidade. Que ao adormecermos, possamos encontrar os nossos anjos protetores, pois esses, sim, são os príncipes de hoje. Nunca nos abandonarão, sempre estarão ao nosso lado, velando para que tenhamos os doces sonhos de outrora.

segunda-feira, 18 de agosto de 2014

Solitude noturna


A noite é uma incógnita, por isso mesmo é que nos fascina tanto. São as luzes que dela brotam, seus tons nada definidos e, os sentimentos que fluem dessa hora tão mágica que nos inquietam. Às vezes nos surpreendemos com medos infundados, oriundos das impressões que carregamos desde a infância, de que todos os monstros surgirão na calada da noite, na escuridão após as lâmpadas se apagarem. E aquele véu que nos cobre de estrelas tão brilhantes, tão constantes, nos servem de companhia nas horas de solitude noturna. É a hora mais apropriada para os nossos encontros conosco. Quando nos sentimos mais à vontade para nos conectar com os anjos, ouvir o que eles nos dizem, esvaziar a mente tagarela, inspirar e expirar lentamente acalmando os nossos ânimos, permitindo que os nossos mestres façam contatos conosco através do nosso pensamento. Fechemos os olhos, então, procurando relaxar a musculatura corpórea, sentindo que cada célula do nosso corpo está sendo preenchida pela luz curativa do cosmo.
Uma noite abençoada e de doces sonhos.

quarta-feira, 30 de julho de 2014

Vovó Me Contava Uma História


Lembrei da minha avó paterna que gostava de contar causos, acreditava em lobisomens e sereias, e era muito supersticiosa. Eu amava ouvir os causos da minha vozinha querida, que por muitos anos padeceu de Alzheimer. Enquanto ela adoecia, eu adolescia. E foi muito penoso vê-la perder sua memória, esquecer quem eu representava pra ela, esquecer o meu nome, minha identidade. Não poder mais ouvir os seus causos e conselhos foi muito traumatizante para mim.
Saudades, vovó. Dos nossos passeios de balsa, quando eu estava ainda na primeira infância e, morava em uma cidade pequena do sul da Bahia. Das orações que aprendi com você, do terço, dos primeiros pontos de crochê.
Saudades de dormir com você na mesma cama, dos seus conselhos, das suas reclamações oportunas e do orgulho que tinha de pronunciar o meu nome, ao me apresentar aos seus amigos.
Herdei de você a simplicidade em relação às pessoas, sem discriminar ninguém, tratando a todos como tem que ser, sem frescuras, sem escolher os amigos por raça, condição social, cultural, apenas pela essência de cada uma delas.
Passaram-se tantos anos, vó, mas eu nunca me esqueço do dia em que você elegeu o Santo Antônio como o meu santo. E nunca me esqueci dos seus olhinhos azuis escuros e brilhantes, transparecendo toda a sua força e coragem, apesar dos pesares.
De repente lembrei-me de uma canção que aprendi ainda bem pequena em
família. A autoria me é desconhecida, mas a letra é essa:
"Vovó me contava uma história
Quando eu era ainda nenê
História de Mula sem cabeça e Sacy Pererê
Eu, com medo, dormia, e o fim da história nunca sabia
Um dia ela me contou uma história linda, linda..
Eu esperando o fim da história que eu não sabia ainda
Nesse dia, a vovozinha foi quem dormiu, foi quem dormiu...
...E nunca mais ela acordou pra me contar o resto da história
E nunca mais...ela acordou..."(Autor desconhecido)
Eu sempre achei muito triste essa canção, mas gostava de ouvi-la e de cantá-la.
Onde quer que você esteja, que Deus te abençoe, vovó. Muita Luz!!!!