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sexta-feira, 12 de setembro de 2014

Fábula de quimera: Fábula poética que deu nome ao blog.

Pra meu encanto, um beija-flor, em vez da flor, me beijou no jardim.
A flor, pobrezinha, pôs-se a chorar de desencanto, e atirou-se ao vento, e ao chão despedaçou-se.
O beija-flor arrependido fez um voo rasante, tentando, em vão, socorrer a pobre flor.
Desiludido, voou longe, pra muito longe, e nunca mais voltou.

E eu, até hoje carrego em mim opostos sentimentos: uma felicidade constante por ter sido a escolhida naquele momento; e uma dor dilacerante, por ter sido a musa daquele triste evento
.

domingo, 24 de agosto de 2014

Um jardim em nossa alma

Aprendi que os sonhos enfeitam a realidade. E ai de nós se não tivéssemos a nossa imaginação para capacitá-los. Sonhar pode ser um exercício de estímulos importantes para a nossa aprendizagem como espíritos. Por que não plantarmos um jardim em nossa alma, delicadamente, semeando aos poucos, regando-o com fluidos de amor enquanto esperamos vê-lo crescer? Durante esse estágio de espera, iremos nós, então, aprofundarmos em nossos mais íntimos sentimentos, ao passo que, a cada retrocesso, observaremos onde, quando e por que cometemos nossos próprios infortúnios. Nos observaremos como se estivéssemos avaliando uma existência discordante da nossa. Enxergaremos nessa outra alma todos os confrontos e suas inúmeras adversidades pelas quais tenham passado, seus embates diante da vida, suas vitórias e suas derrotas. Após toda essa avaliação, o jardim já estaria florido e viçoso. Durante essa viagem da alma, a cada história presenciada, uma etapa de desenvolvimento foi concebida no jardim, simultaneamente. E ao regressarmos veríamos ali, bem diante de nossos olhos, a construção Divina. E nessas circunstâncias, finalmente reconheceríamos em nós um jardim da Criação Divina, mais depurado, mais consciente dos escombros dos quais já não pertencíamos mais, pois deles já não mais precisávamos e dos quais nos libertamos. E se o Criador é o jardineiro desse jardim perfeito, temos a obrigação de sermos, pelo menos, os semeadores desse jardim, que é a nossa preciosa vida terrena.

quarta-feira, 30 de julho de 2014

A Fada das Flores (Para a minha adorada mãe)

As dálias que as suas delicadas mãos colhiam
e eu, próxima, extasiada a tudo assistia;
As fadas que em segredo eu cria, porém, nem sequer as via;
naquelas horas, eu, ao menos uma delas, possuía.
Ah! As dálias de cores diversas,
plantadas e colhidas com gestos dadivosos e generosos!
O perfume das angélicas que aos sábados exalava por toda sala de estar,
as mesmas mãos as exibiam!
Ela caminhava por entre as flores, removia a terra, regava-as com a terna exatidão
de quem sabia que lá elas permaneceriam viçosas.
E se multiplicavam colorindo os canteiros com rara beleza.
Suas mãos eram como deveriam ser as de uma verdadeira fada,
leves como sedas.
No jardim, roseiras e outras variedades, embora para a minha memória
de criança, as dálias fossem marcantes, nos canteiros do quintal.
Porém de todas as flores, era ela a mais exuberante e bela.
Simples, quando se misturava à Natureza.
Enigmática, quando ora fada, ora flor, dava-me a certeza,
de que aquela metamorfose seria para incorporar à minha vida,
a possibilidade de ter sabedoria sem nunca perder a inocência.


27.02.2009